Não tenho família e neguei os três filhos que Deus me mandou. Sou só, sou solidão. Meu caderninho, antes lotado de compromissos com clientes, anda branco e vazio, assim como meu bolso. Ás vezes aparece um velhote e eu faço questão de cobrar caro. Nunca mais fui beijada, até eles tem medo de mim. Meu corpo exibe as marcas das drogas e mais pareço um bambu. Tenho fome, sinto frio e minha única certeza é a da minha respiração. A Augusta não é mais a mesma, e eu não sou mais a mesma. Não tenho vontade nem vida. Semana que vem serei despejada do cafofo que chamo de casa. As baratas fizeram a festa por lá e eu usei minha última reserva de crack. Daqui a pouco começarei a vomitar e me debater e ninguém irá me acolher. Cresci na vida de prostituta com a ilusão de ser Julia Roberts: encontrar um homem rico e ser feliz para sempre.
Eu não tenho homem, rico ou pobre. Eu só tenho as ruas, a pinga e a foda pouca e barata. Gostaria de viver, de sonhar e de ter um amor. Nunca amei e acho que passarei a vida assim, [des]amada. Apago um cigarro e logo acendo outro nessa interminável solidão. Enquanto penso, desço mais uma vez essas ladeiras, esses becos, na vã esperança de que irei ser feliz. No desejo de acabar com uma vida que já acabou comigo.

è uma pena que Helena nao tenha conhecido o amor.eu tivi o previlegio de conhecer de perto ,de dormir e acordar arrudiada de amor ,simplismenti aprendii a amar eu mesma e depois os outros.um beijo na minha subrinha linda que deicha a tia dela toda orgulhosa .tia Mirna
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