quarta-feira, 21 de março de 2012

Cadu

  Carlos Eduardo. Também chamado de Cadu. Carlos Eduardo. Que nunca dizia sua idade e que só sabia coisas de relacionamentos. Sua lógica era imbatível e seu corpo muito mais. Cadu nunca teve uma paixão e só contava relacionamentos a partir da quinta semana. Ele desprezava romances e raramente dizia algo sobre si. Em algumas horas amava sem tréguas e em outras se fechava no mais louco mundo já visto. Cadu era frieza e sinceridade em pessoa. Prático e belo. Quase nunca dizia 'eu te amo' e achava exagero o sentimento das pessoas. Algumas línguas era ferinas e desejavam navegar aquele corpo. Cadu sequer notava.
  Eu já fui uma moça de Cadu. Cravei meus sentidos nele no último verão. Ele, a beleza viva e eu, a ingenuidade pura. Conheci Cadu na praia, jogando suado e brilhando. Assim que vi aqueles olhos castanhos, fervi toda por dentro. Ele percebeu e nós nos beijamos naquela mesma noite. Saímos mais três semanas seguidas. Eu me abria para Cadu e ria de seus poucos gracejos. Naquelas semanas fui conhecendo as regras de Cadu, e começamos a namorar. Ele, distante e dividido entre me querer ou não e eu, envolvida até os cabelos e amando calada. Porém, um belo dia, após dormirmos juntos pela primeira vez, Cadu sussurrou que gostava de mim. E que isso complicaria tudo entre nós. Forcei um sorriso amarelo naquela escuridão e disse que tudo bem, que eu entendia e que não me importava.
  Após essa noite, Cadu tornou-se mais distante e passou três dias sem dar notícias. Ele não ligou e eu não fui atrás, não queria demonstrar nada. Eu sofri e muito, mas sofri calada.
  Um belo dia, Carlos Eduardo apareceu e tirou-me da zona da tristeza. Beijou-me sem tréguas, disse que me amava e desbravou meu corpo. Mordeu meus lábios e chorou em meus cabelos. O vai-vem daquele corpo foi ritmado e eu repeti que o amava também, odiando deseja-lo e odiando aquela admissão. Cadu ergueu-me em seus braços e levou-me ao chuveiro. Beijou meu pescoço, lambeu meus lábios e mordeu meu corpo. Depois disso, secou-se, vestiu-se e terminou comigo. E eu? Disse que tudo bem, que não me importava com ele. E desejei-lhe sorte.
  Assim que Cadu saiu, eu chorei e me odiei e me masturbei. Abri meus olhos e aceitei a terrível realidade: eu me apaixonara por Cadu, que agora não era mais que Carlos Eduardo. E que fez questão de me amar de longe, como se fosse só minha a culpa de haver sentimento nessa história.



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