Um dia eu
acordei mais vazia que o normal. E mais mal que o normal. Nesse dia vi que o
sol não brilhou, e isso não me preocupou diferente do que eu pensei que faria.
Eu levantei [não me ergui pela primeira vez em dias] e questionei a por que das
coisas. Percebi que estava irritada, sozinha e acalorada. Que a solidão me
corroia e que tudo parecia devagar.
Larguei as
chaves em algum lugar, e os sapatos em canto nenhum. Tava tudo muito confuso,
mas pela primeira vez isso não me deu medo. Lembrei que larguei minha vida em
alguma esquina e nem isso me fez sentir saudades de mim. Eu mergulhei minhas
mágoas em xícaras de café [vodka me fode os rins] e meus medos embaixo do
chuveiro. Sentei na minha janela desejando ser passarinho e não mais ter
compromissos nessa cidade.
Queria
sentir medo, frio e quem sabe saudades. Mas depois de algumas tentativas, a
alma vai ficando árida, usada. Com vontade de ir embora, dar lugar à outra. Mas
essa outra não vem, e aqui eu continuo. Sentindo-me arrastada por pés que eu
sei que já nem são meus.
Meu corpo tá
na frente, e a alma encostada lá atrás. E nessa profusão de dias, eu esbarro em
pessoas pelas quais valeria viver, mas que meu tempo não permite. Esbarro em
momentos que enchem os olhos de qualquer mortal, e a mim nem ofuscam a vista.
Estou só,
estou assim. É a idade, amigos. Aqui dentro bate um coração
velho e ressequido. Mas eu ainda tenho esperanças de que amanhã, ao menos uma
vez, o sol irá brilhar de uma forma melhor, que eu possa tocar e transformar em
energia viva, que faça girar em mim essa roleta morta de segredos. Que uma vez
na vida encha-me de intensidade. Hoje eu quero ser independente. Dar tchau.
Virar as costas pra uma possível decepção.
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