Ela adorava um mistério, por isso, acabava se tornando um.
Era imprevisível, meio ativa, totalmente louca. Levava o mundo nas mãos e se perdia nos próprios pés.
Andava sempre acompanhada de borboletas, mesmo no escuro.
Aguçava beijos. Cheiros. Tato. Tédio.
Brincava. Com canetas, papéis, dois livros distintos.
Vivia.
Ou quem sabe morria, a fim de se perder.
um lugar despedaçado. uma menina movida à tudos, com duas doses de bondade, três dedos de amor, uma pitadinha de raiva e com começos de erotismo juvenil.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
É que eu me sinto excluída do mundo e nem por isso eu levanto a mão em busca de atenção.
Tudo tem medo, escuridão, ódio e solidão.
Não precisa enganar: há névoa e o olhar não brilha.
Tudo escuro, fado, louco. Consumido, consumado, acabado e destruído.
Quando chega a hora chega a hora, e você tem que me deixar ir embora.
Tudo tem medo, escuridão, ódio e solidão.
Não precisa enganar: há névoa e o olhar não brilha.
Tudo escuro, fado, louco. Consumido, consumado, acabado e destruído.
Quando chega a hora chega a hora, e você tem que me deixar ir embora.
Todos os dias ele passa por ela, e é como se ela nem existisse. Afaga-lhe a cabeça e toca seus lábios. E pensa que isso a alimenta.
Ele diz que a ama com uma leve dose de sarcasmo. Ela, deixada, é a única que não tem casa ou colo no fim do dia.
Suas vidas se encontraram no maior verão e hoje são puro inverno. Ou inferno.
E lá vem ele, mais uma vez, beijar-lhe a testa. E isso já nem basta, e ela se desfaz. Se fecha, sorri menos. Se encosta em um mundo cinza, lindo, dela.
Ele nem vê, mas a moça se vai. Ela não sabe o que quer, não tem caminho, qualquer coisa serve. Ela merece luz, poema, porre. Ela tem um oceano bem profundo, quem sabe negro. Sim, ela lê e escreve.
E ele parece nem dar bola, pobrezinha. Ele não vê o mundo dela, cinza, gigante. Inexplorado em muitos pontos, torto em outros.
E ele nem percebe, ou se percebe, não demostra.
Na verdade, ele a chama de louca. Mas não quer aceitar a poesia nos gestos lindos, da feia moça triste.
Ele diz que a ama com uma leve dose de sarcasmo. Ela, deixada, é a única que não tem casa ou colo no fim do dia.
Suas vidas se encontraram no maior verão e hoje são puro inverno. Ou inferno.
E lá vem ele, mais uma vez, beijar-lhe a testa. E isso já nem basta, e ela se desfaz. Se fecha, sorri menos. Se encosta em um mundo cinza, lindo, dela.
Ele nem vê, mas a moça se vai. Ela não sabe o que quer, não tem caminho, qualquer coisa serve. Ela merece luz, poema, porre. Ela tem um oceano bem profundo, quem sabe negro. Sim, ela lê e escreve.
E ele parece nem dar bola, pobrezinha. Ele não vê o mundo dela, cinza, gigante. Inexplorado em muitos pontos, torto em outros.
E ele nem percebe, ou se percebe, não demostra.
Na verdade, ele a chama de louca. Mas não quer aceitar a poesia nos gestos lindos, da feia moça triste.
domingo, 3 de junho de 2012
zero horas
minhas fotografias estão ficando velhas e as lembranças se vão. quem sabe eu deva agradecer quem sabe não. ele me apunhala, me fere, me chupa e me chama de animal. me beija, me faz engolir choros. me chama de estúpida e me acha um diabinho só porque eu não rezo. ele não se acostuma com meu eu. e eu o espero. até que meus dedos fiquem velhos e que ele fique impotente. e eu espero. até o dia em que o vento parar de bater. ele me joga, me fala e eu dou um risinho no final, finjo que não doeu, parece até que nem foi comigo. mas quando chega a noite, eu já nem tenho mais vontade de nada e choro sozinha em meu quarto. deito exausta e levanto, sem dormir, junto com o sol. e ninguém imagina o quanto dói e quantas dúvidas eu ainda tenho. e ninguém sabe que eu me cortei e que me arrependi e que lambi meu próprio sangue. por algum motivo que eu desconheço, ele me conhece e nem aceita. eu mudei e me questionam. eu toco o foda-se e me amam. e fazem uso das minhas opiniões e continuam a criticar minha pele ossos e cabelos. e eu continuo me sentindo só, e desalmada e mal amada e fútil e puta. e nem quero que me toquem porque eu tô frágil e depois quero que me abracem porque eu preciso. preciso deitar minha cabeça em seu peito e chorar sem dizer os motivos. quero afago, afeto, beijo. quero compreensão. o quero. mas o que eu preciso eu já nem quero e o que eu quero nem é o que eu preciso. esperam. calam. passam. ruas, relógios, caminhos, temporais. e vai você, e lá vou eu, e nada de amor.
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