quarta-feira, 6 de junho de 2012

Todos os dias ele passa por ela, e é como se ela nem existisse. Afaga-lhe a cabeça e toca seus lábios. E pensa que isso a alimenta.
Ele diz que a ama com uma leve dose de sarcasmo. Ela, deixada, é a única que não tem casa ou colo no fim do dia.
Suas vidas se encontraram no maior verão e hoje são puro inverno. Ou inferno.
E lá vem ele, mais uma vez, beijar-lhe a testa. E isso já nem basta, e ela se desfaz. Se fecha, sorri menos. Se encosta em um mundo cinza, lindo, dela.
Ele nem vê, mas a moça se vai. Ela não sabe o que quer, não tem caminho, qualquer coisa serve. Ela merece luz, poema, porre. Ela tem um oceano bem profundo, quem sabe negro. Sim, ela lê e escreve.
E ele parece nem dar bola, pobrezinha. Ele não vê o mundo dela, cinza, gigante. Inexplorado em muitos pontos, torto em outros.
E ele nem percebe, ou se percebe, não demostra.
Na verdade, ele a chama de louca. Mas não quer aceitar a poesia nos gestos lindos, da feia moça triste.

Nenhum comentário:

Postar um comentário