domingo, 29 de abril de 2012

então você estava aqui?
todo esse tempo, em todos os meus medos, vendo minhas dúvidas,
você estava aqui?!
lembra de quando eu larguei tudo pra ser seu braço esquerdo?
de quando eu chutei o balde o toquei o foda-se pra todos, menos pra você?
você estava aqui perto, moço?
viu meus soluços?
teve pena?


[então porque não me tirou da sarjeta quando podia?]
não.
não permito levar rasteiras e continuar no chão.
não me permito chorar e deixar que as pessoas vejam
não me permito morrer por tudo
não me permito adoecer, perder os dias por conta da chuva
ou do estresse ou do desapego.
não deixo que ninguém esfrie esses dias que eu lutei
para manter tão quentes


todas as noites
eu continuo implorando ás estrelas,
aos céus, aos ventos
que eu seja para ti
exatamente o que tu és pra mim.

você anda colorindo tudo, me fazendo viver trinta dias sem querer morrer.
sem essa de problemas. nem me faça duas juras. uma basta, diz só que eu tenho as tuas mãos.

ela abriu a janela, a porta, o coração. deixou a vida entrar.
doeu, plebeu. e como.
mas lá estava ela, esperando aquela fala mansa, aqueles cabelos escuros, aqueles olhos densos.

ela esperava cor naquele dia cinza e luz na noite escura.
levavam-se para a praia, para o forte, para a pedra.
e ali ficavam, fitando a lua alta.
enlouquecendo, se rendendo.

na loucura de pertencerem á outras vidas
e outros caminhos
e corpos
e idas

sexta-feira, 27 de abril de 2012

como de costume
essa noite passou por mim como as outras.
visitei a insônia
e fiquei te lamentando
nos inventando
e chorando
e te querendo
e odiando
eu sei
que você me olha e vê a escuridão em pessoa
não se leva pelo meu meio sorriso
e sabe que é na noite que eu me encontro.
você
deve ter as piores impressões de mim
e nem por isso me deixa
por isso me suporta
me beija sem tréguas
[e nunca nos dá um fim.