terça-feira, 14 de agosto de 2012


quando revejo aqueles dias, lembro dos beijos insípidos
da atenção forçada
quando revejo aqueles dias, percebo, que há muito
já não era mais feliz

ei, eu tô de partida. meu ônibus sai em uma hora e eu vim te ver.
não, eu não levo malas. sinto que a vida aqui já não me serve e eu irei refazer em outro lugar
esse espaço, essas pessoas, tudo dói
vou curar minhas feridas. viver quem sabe.
como eu já disse, já não tenho nada por aqui.
o que tinha brilho apagou e eu cansei.
não, eu não sinto fome.
tô atrasada
eu te amo. e só passei pra dizer adeus

ele continua dizendo que tudo estagnou.
continua deitado no mesmo sofá, ouvindo os mesmos discos. derramando as mesmas malitas lágrimas.
o pão. a garrafa. a faca de corte. baratas. tudo batendo no mesmo covil.
a comida embrulha no estômago. bebeu demais
os olhos de abrem. viveu demais
ele continua parado, jornal na porta, contas acumulando.
continua fraco, até mesmo para acabar
com a própria vida
a dor de perde-lo para a morte
seria menor do que a dor
de perde-lo pra outro alguém
o moço me acenou da esquina
eu, inocente. pálida. faminta
não percebi a armadilha, o quanto ele olhou, meu corpo quase nu
levou-me. usou-me. largou-me
levando, por quase nada, o pouco do respeito
que eu ainda tinha entre as pernas