sábado, 22 de setembro de 2012

Nova

Nós estávamos bêbados. Álcool, mar. E uma lua Nova. Até hoje pergunto-me como nossas lembranças cabem em uma caixa de sapatos.
Continuando, estávamos bêbados. Era sábado. Só podia ser sábado. Nós só bebíamos aos sábados.
Ele odiava a acidez do vinho e eu detestava a queimação da vodka, mas bebíamos, mesmo assim. Brindávamos á nós. À rua. Ao velho. Ao novo. Ao cachorro. Aos muros.
Quem sabe, se eu tivesse dito, ele não teria tomado outro rumo. Talvez, se eu entregasse as cartas, ele pensaria em mim com mais cuidado. Mas a vida (ou o que eu fiz da minha) não é justa.
Naquela noite, com a lua Nova, meu ser estava velho.Eu, pálida, bêbada, louca, lutava para ir, querendo ficar. Ele até tentou me deixar melhor, e isso só me fazia sentir pior
- O que a donzela tem?
- Nada
- Tem certeza?
- Sim
- É isso que você quer? Não me querer?
- Menino, a noite tá acabando. Ou você vai embora, ou irei eu.
- Assim, tão direta?
- Eu não posso te viciar em mim
- Mas somos o par perfeito: a louca e o esquizofrênico
- Larga esse copo. Beija os meus cabelos
- Cheiro de laranja
- Lavei hoje
- Sabia
- Então, vai partir que horas?
- Nem sei.
- Tu sabes, eu sei. Quando a lua mudar, eu te quero longe. E repito: se tu não fores, eu vou.
Adormeci.
Acordei na madrugada, com os primórdios do sol. E até hoje volto àquela praia. Cato conchas e seixos, como se isso mapeasse o caminho até o amor que eu deixei ir.

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